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Trio de árbitras se unem em “família” e soterra preconceito para atuar no Gauchão

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O quarteto de arbitragem pisa o gramado, conduz as duas equipes para cumprir o protocolo com a execução do hino e sorteio para a saída da bola, e faz uma última reunião já no centro do campo. A partir daí, a assistente irrompe, com a bandeira em mãos, rumo à linha lateral para viver 90 minutos de atenção a cada centímetro e de realização plena de fazer parte do ambiente do futebol, que tanto a encanta. E mesmo diante das adversidades e preconceito que emana de um universo ainda povoado pelo machismo. Andreza Mocelin, Luiza Reis e Maíra Mastella sentem na pele todo esse sentimento a cada vez que colocam os pés nos gramados do Gauchão. As três são as únicas mulheres do quadro de árbitros da Federação Gaúcha de Futebol (FGF) aptas a atuarem no Campeonato Gaúcho. Uma minoria que corresponde a apenas 5% dos 51 profissionais convocados para participar da pré-temporada da arbitragem, em Flores da Cunha, no início do ano. E que persiste escala após escala para abrir caminho para mais colegas no quadro de árbitros da FGF. Abrir caminho, aliás, não é figura de linguagem. Cada uma delas já experimentou – e ainda experimenta – o preconceito. Antes mesmo de erguer a bandeira pelos gramados gaúchos, Luiza ouvira de um colega de curso que achava “nada a ver mulher trabalhar em jogo de homem”. Em uma viagem, Andreza foi obrigada a ouvir de outro colega questionamentos sobre a carreira ao longo de todo o trajeto de carro. A resposta veio em campo: com um acerto milimétrico, seguido de um pedido de desculpas via mensagem telefônica dias mais tarde. Pouco a pouco, os colegas aceitaram – ou deram o braço a torcer – até nutrir uma relação de confiança e naturalidade com o trio. Mas diga isso a torcedores e até torcedoras que ainda persistem em destilar ofensas e preconceito das arquibancadas, como as jornalistas esportivas evidenciaram, recentemente, com o manifesto #DeixaElaTrabalhar. Isso é mais um grito necessário contra o machismo – não apenas nos estádios.

Treinos pesados para atingir índices masculinos

Pisar o gramado e percorrer a lateral com a bandeira em mãos é o ápice para as assistentes, independente da magnitude do jogo no Gauchão. Mas cada decisão tomada dentro de campo é precedida por uma rotina de treinos que consome grande parcela de seu escasso tempo livre. Como é de praxe aos árbitros de todas as divisões e patentes do futebol brasileiro, penta da Copa do Mundo, sem estrutura em federações estaduais e nacional para manter profissionais que se dediquem exclusivamente à arbitragem. Andreza concilia a rotina de preparação e jogos com o dia a dia de personal trainer e as aulas de pilates em seu estúdio e ainda os encargos de ser mãe da Raíssa. No dia da entrevista com o GloboEsporte.com, por exemplo, saiu às pressas para resolver um imprevisto com a filha de nove anos. Luiza é doutoranda em Ciências do Movimento Humano e professora de Educação Física. Maíra também é personal trainer, em Santa Maria. E todas se desdobram para cumprir uma carga de seis treinos semanais, com apenas um dia de descanso, que varia de intensidade, claro, à medida que a escala lhes presenteia com jogos. Luiza e Maíra ainda compartilham o calendário de treinos, mesmo à distância, para atingir os índices da CBF. Em 9 de março, as duas foram aprovadas e alcançaram a marca masculina para apitar jogos nacionais. Acabaram premiadas pela rotina três vezes mais intensa que a dos colegas homens. “Eu treino três vezes mais que meus colegas homens, falando por baixo, e eles passam no teste com muito mais facilidade. Eu demorei para conseguir passar no índice masculino, depois de dois anos e meio de preparação. E eu ainda passo no limite”, conta Luiza.

Estádios se adaptam para receber as mulheres

O apito final havia ressoado há quase uma hora no Estádio Passo D’Areia, e a chuva torrencial que caíra minutos antes atenua o calor escaldante que costuma emanar do gramado sintético. Para a sorte do árbitro Érico Andrade, do assistente Leirson Peng Martins e do quarto árbitro Marcus Vinícius Oliveira. À beira do campo, o trio fazia o lanche, já de banho tomado, e conversava sobre as decisões da partida em compasso de espera até Andreza abrir a porta do vestiário da arbitragem e dar o aval aos colegas para entrar no recinto, recolher o material e rumar para casa. A cena descrita acima marcou o ambiente do pós-jogo da vitória do São José por 2 a 0 sobre o time de transição do Grêmio, na 4ª rodada do Gauchão. E já foi mais bem recorrente para as assistentes do quadro da FGF em sua peregrinação pelos estádios do interior gaúcho, invariavelmente com a necessidade de revezar na utilização da estrutura disponível ao quarteto de arbitragem, apenas para os homens. Na edição de 2018, o trio de mulheres rodou por quase todos os palcos da competição e encontrou se não um vestiário feminino, ao menos um espaço separado do ambiente masculino. A exceção ficou por conta da casa do Zequinha. – No Zequinha, ainda não (mudou), mas já melhorou bastante. Fui fazer jogo no Avenida e achei um máximo. Estava tudo divido para a mulher e para os homens. A maioria dos estádios já tem um espaço para as mulheres. O pessoal dos estádios já sabe que vai vir uma assistente mulher e se prepara para receber. A consciência está diferente, mas uns anos atrás…. Andreza também recebeu apoio imediato dos pais ao comunicar da decisão de seguir a carreira na arbitragem, até por ser irmã do árbitro Alessandro Mocelin. E ainda tem o incentivo do noivo, Túlio Flores, que é preparador físico do Atlético-PR e, volta e meia, prepara sua rotina de treinos. Maíra é outra a contar com o carinho de sua família ao ingressar no curso, em 2013. “Minha família é apaixonada por futebol. Desde o curso, tive o apoio deles. Qualquer conquista, ficam muito felizes. Estão sempre acompanhando meu trabalho” se orgulha Maíra.

Torcida é problema, mas no campo há respeito

Andreza se despediu do Gauchão ainda em fevereiro, em um cair de noite de esforço e atenção totais rente à linha lateral para acompanhar sem erros graves as arrancadas explosivas de William Pottker, na vitória do Inter por 3 a 1 sobre o Juventude. Dias antes, havia deixado o gramado sintético do Passo D’Areia com um sorriso do dever cumprido no rosto, do acerto ao validar o segundo gol legal e milimétrico da vitória do Zequinha sobre o Grêmio.

Caminho aberto e planos para o futuro

A cada treino, a cada jogo, a cada reunião, Luiza, Andreza e Maíra dão passos e torcem para que suas trajetórias abram caminho para novas colegas de apito e bandeira. Mas o processo é vagaroso. Do início da carreira até agora, as três afirmam que o quadro da arbitragem feminina pouco mudou. Atualmente, há um “vácuo” com o trio na categoria A e outras três assistentes na categoria C: Ariela Duarte da Silveira, Estefani Adriati Estrela da Rosa e Taís Regina Ruver. Ha esperanças de ampliação, com um alentador número de 10 inscritas no curso da FGF em 2018. Mas o caminho da transição das aulas para a profissão é árduo, e para qualquer árbitro. A realidade de uma carreira com carga de treinos equivalente às de um atleta em meio a uma rotina com compromissos profissionais paralela surge como principal barreira para o crescimento. “Quando eu fiz o curso, tinha eu e mais duas colegas. Já é evolução (ter 10 inscritas). Acredito que a gente esteja abrindo caminho, mas ainda vai levar um tempo para essas que estão entrando agora nos acompanhar”, afirma Andreza. Até lá, há um vasto calendário de treinos e jogos a ser encarado com um sonho em comum, nutrido por cada uma delas: romper as fronteiras estaduais e ganhar espaço no quadro nacional de arbitragem. Acabado o Gauchão, Luiza e Maíra aguardam semana após semana as escalas da CBF com a expectativa de atuar em jogos profissionais do Brasileirão. A primeira, aliás, cumpriu o objetivo logo na primeira rodada da Série D, está escalada para Flamengo-PE x Murici, neste domingo. Andreza, por sua vez, está no limite da idade para entrar no quadro nacional, aos 35 anos. Mas mantém viva a “esperança” de tirar a licença para atuar em jogos da CBF até que “digam nunca mais”.#deixaelatrabalhar 

ALEXANDRE MARQUES

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