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FUTEBOL AMAZONENSE

Depois de gestos obscenos, torcedor do São Raimundo se defende e jornalista repudia atitude

Foto: João Normando 

Poderia ser mais uma partida pelo Campeonato Amazonense, se não fossem os fatos lamentais que tiraram o brilho do espetáculo em campo, vindos da arquibancada por alguns torcedores do São Raimundo, com palavras e gestos obscenos direcionados aos profissionais da imprensa esportiva, mas especialmente as mulheres jornalistas. O episódio ocorreu neste domingo (8/3), na partida entre São Raimundo e Manaus, no Estádio da Colina, em plena comemoração do Dia Internacional da Mulher.

Em fevereiro, o São Raimundo foi punido pela 3ª comissão do Tribunal de Justiça Desportiva do Amazonas (TJD-AM), com multas e campanha de combate à violência nos estádios. Na ocasião, torcedores do Tufão da Colina, se envolveram em uma briga com torcedores do Fast Clube, fora do Estádio da Colina, na partida entre as duas equipes, pela terceira rodada do primeiro turno, no dia 28 de janeiro.

Indignação

Indignada e revoltada com a atitude, além do linguaja impróprio, a jornalista da Rádio Difusora do Amazonas, Larissa Balieiro, afirmou ao Sports Manaus, que começou a gravar com seu celular o comportamento inadequado dos torcedores do São Raimundo. Para ela, que depois foi ofendida por gestos e palavras, é algo inaceitável tal comportamento.

– Tudo começou quando o torcedor do São Raimundo, já identificado disse termos obscenos “eu vou comer o…. da Andreza, e essa mulher é vagabunda”. Isso me incomodou, porque sou uma mulher e era o Dia Internacional da Mulher, mas podia ser qualquer dia na verdade. Depois disso pensei, na próxima vou gravar e ele de novo voltou a ofender e comecei a filmar e dizendo podem falar. Tinha um cara que estava do lado dele, um menino jogou beijos e disse “que me queria”, e ele mostrou o cotoco pra mim – comentou, mas ainda frisou.

– É um absurdo e intolerável a forma que a mulher tem que ser tratada dentro do estádio ou em qualquer outro lugar, mas refiro-me no estádio, onde eu estava. Fiz por mim, pelas torcedoras, pela esposa do jogador, pela mãe de um jogador que estava ali. Foi tão grave Paulo, que teve um jogador do São Raimundo que foi me parabenizar e dizer obrigado por ter gravado. Ele considerou tão pesado que ele (torcedor) falou, porque sua mãe estava no estádio e não merecia ouvir isso – lamentou a jornalista.

Versão

Para Eyler Tofa Nogueira, membro da torcida organiza Furação Azul, do São Raimundo, afirmou que em nenhum momento se dirigiu diretamente a jornalista, pois estava assistindo ao jogo como qualquer outro torcedor, xingando a arbitragem e os jogadores do time adversário. Eyler não negou sua atitude, mas afirmou que se sente perseguido.

– Fui questionar a razão da filmagem e ela disse algo que não entendi direito pela distância e barulho na hora do jogo. A partir daí não sei o que ela falou ou passou para os colegas repórteres, que começaram a tirar fotos. No final do jogo, quando foram entrevistar um jogador, teve um repórter que parou bem na frente da torcida e começou a bater fotos. Nesse momento estava meio chateado, olhei para ele e sorri e levantei o dedo. Nessa hora não estava somente eu, mas tinha mais outro torcedor do meu lado. Não sei porque depois ela cortou a imagem, e somente me expos – justificou, mas revelou que vai procurar seus direitos.

– Por esse motivo de expor a minha imagem nas redes sociais dela e na mídia nacional como está aparecendo e pelo que ouvi de comentários, eu acionei meu advogado que irá representar uma denúncia contra ela por injuria, difamação e calunia. Se fosse para fazer justiça tinha que filmar e bater fotos de no mínimo 90% dos torcedores que ali estavam, porque todos estavam xingando a arbitragem e os jogadores do Manaus. Acho que muitas das vezes fazem uma imagem dos torcedores de clubes como se fossem um vândalo e vagabundo – disse o membro da Furação Azul.

TJD

 A redação do portal entrou em contato com o presidente do Tribunal de Justiça Desportiva do Amazonas (TJD-AM), Dr. Edson Rosas Júnior sobre o fato ocorrido. Ele confessou que foi dado entrada de Notícia de Infração (NI), nesta segunda-feira, 9/3, e encaminhada a procuradoria do tribunal para ser analisado e se será acatado ou não.

A diretoria do São Raimundo, emitiu uma nota oficial sobre o episódio. Confira abaixo:

O São Raimundo EC vem a público repudiar, de forma veemente, os atos machistas de parte da sua torcida.

Na sociedade em que vivemos, nos dias de hoje, tais fatos são irresponsáveis e, sobretudo, desrespeitosos. Além de serem criminosos, também.

Reafirmamos que a posição do clube sempre foi e sempre será de abraçar todos os gêneros, raças, povos e opções sexuais. Somos o time do povo, time de raizes periféricas e, reafirmamos, a posição do clube é de total indignação com o fato.

As providências serão devidamente tomadas.

Diretoria do São Raimundo EC

A Rádio Difusora do Amazonas, também veiculou uma nota oficial. Confira abaixo:

NOTA OFICIAL 

 A Rádio Difusora repudia todo e qualquer ataque ofensivo e principalmente de cunho machistas as profissionais da casa. Através da história da emissora, nossa premissa sempre foi enaltecer e divulgar o futebol amazonense e respeitamos o trabalho. A Larissa Balieiro e a Thaís Gama representam não somente as mulheres da casa como muitas que trabalham arduamente na profissão e que merecem o espaço e o reconhecimento.

Sempre estaremos apoiando o trabalho delas e respeitando as demais mulheres que conquistam espaço. O fato ocorrido no último domingo, no estádio de futebol, é um reflexo do que corriqueiramente acontece em vários lugares. Nos solidarizamos não somente com as jornalistas mas com as torcedores, esposas, namoradas, mães de atletas, dirigentes que passam por situações parecidas e mais uma vez repudiamos todo tipo de ataque ofensivo e machista.

Att,

Rede Difusora de Rádio

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