Da redação do Sports Manaus, com informações – ESPN.com.br –
Foto: Eduardo Carmim/Eurasia Sport Images/Getty Images
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, desistiu de sua proposta de vender participações na Copa do Mundo. A decisão aconteceu após uma forte reação contrária, incluindo críticas dentro da própria entidade máxima do futebol e a ameaça de boicote por parte das nações europeias.
Infantino havia proposto transformar os negócios comerciais da Fifa — incluindo as Copas do Mundo e os Mundiais de Clubes, tanto masculino quanto feminino — em uma subsidiária avaliada em US$ 20 bilhões, da qual 20% pertenceriam a investidores privados.
O chamado “investidor âncora”, conforme descrito pela Fifa, seria uma empresa de investimentos sediada em Nova York criada por Joshua Kushner, irmão mais novo de Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
No entanto, em um comunicado divulgado na noite de sexta-feira (31), Infantino afirmou que “a proposta não seguirá adiante”.
“Depois de ouvir atentamente todas as opiniões, ficou claro que o projeto gerou divisões de tal natureza que, independentemente do nível de apoio recebido, ele já não atende ao objetivo estabelecido inicialmente”, declarou.
Mais cedo, dois altos dirigentes da Fifa criticaram o plano de Infantino para a Copa do Mundo. Um deles renunciou ao cargo de assessor da presidência, enquanto o outro afirmou que os funcionários da entidade foram enganados pelo projeto e que ele não deveria prosseguir.
Carlos Cordeiro, que representava a Fifa na força-tarefa da Casa Branca para a Copa do Mundo, renunciou em protesto contra o plano de abrir espaço para investimentos de fundos privados
“Não posso permanecer enquanto a Fifa considera vender uma participação na Copa do Mundo”, afirmou Cordeiro, ex-banqueiro do Goldman Sachs, em comunicado no qual anunciou sua saída do cargo de assessor de Infantino e incentivou outros dirigentes da entidade a se manifestarem.
O diretor de operações, Kevin Lamour, declarou à AP que os funcionários foram “enganados” pela falta de transparência de Infantino na elaboração do plano envolvendo investidores privados e que “merecem algo melhor do que desprezo e intimidação”.
Lamour não deixou o cargo que ocupa desde 2024, mas afirmou que tinha o dever de defender seus colegas: “E, se isso significar perder meu emprego, que assim seja”, disse o dirigente francês. “Vou entender e respeitar essa decisão. Pelo menos dormirei tranquilo esta noite.”
Um dia antes, as nações europeias haviam concordado em boicotar a Copa do Mundo e todas as demais competições organizadas pela Fifa em protesto contra a proposta, afirmando que “há coisas que simplesmente são importantes demais para serem vendidas”.
“Isso não representa apenas uma profunda falha de liderança, mas uma abdicação do dever da Fifa como guardiã do futebol mundial”, afirmou a Uefa, entidade na qual Infantino trabalhou por muitos anos e exerceu o cargo equivalente ao de diretor-executivo antes de ser eleito presidente da Fifa, em 2016.
Posteriormente, a Confederação das Associações de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf) e a Confederação Asiática de Futebol (AFC) também manifestaram oposição à proposta.
Em seu comunicado de sexta-feira, Infantino acrescentou:
“Daqui para frente, minha intenção é reunir novamente todas as partes interessadas nos próximos dias e semanas, em um espírito de interesse comum pelo nosso esporte, com o objetivo de continuar promovendo o crescimento do futebol em todos os lugares, especialmente nos países que mais precisam do nosso apoio.”

